A efusão do Espírito Santo

31 de agosto de 2010

Por sua Páscoa, Jesus Cristo redimiu todo o gênero humano. Por Ele, todos os homens têm acesso à salvação. É fundamental, porém, que todos e cada homem – já salvos – assumam, explícita e pessoalmente, essa salvação. O mistério da salvação oferecido gratuitamente por Deusprecisa ser aceito livremente por cada um de nós, como opção pessoal, em uma atitude de obediência de fé. “ Para que se preste essa fé, exigem-se gravação prévia e adjuvante de Deus e os auxílios internos do Espírito Santo, que move o coração e converte-o a Deus, abre os olhos da mente e dá ‘a todos suavidade no consentir e crer na verdade’. A fim de tornar sempre mais profunda a compreensão da Revelação, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa continuamente a fé por meio de Seus dons” (Constituição Dogmática Dei Verbum, n. 5).

Ou seja, não se avança na percepção progressiva do mistério da salvação realizada por Jesus Cristo sem se deixar habitar em plenitude pelo Espírito Santo, sem experimentar continuamente de sua efusão admiravelmente manifestada, derramada, dada e comunicada em Pentecostes (cf. Catec; n. 731),mas prometida para estar conosco eternamente. “Tendo entrado uma vez por todas no santuário do céu, Jesus Cristo intercede sem cessar por nós como mediador que nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo.” (Catec., n. 667).

O Espírito não cessa, pois, de levar continuamente as pessoas à experiência do Cristo vivo e ressuscitado, por meio de sua efusão. Crentes, descrentes, batizados só de nome, praticantes, santos e pecadores, são visitados por essa graça pascal (v. Catec., n.731), e dão um salto qualitativo na fé, que vai de um não conhecimento, de um conhecimento insuficiente, de um conhecimento estribado na cultura e na razão, apenas, a um conhecimento experiencial, que aguça a fé e sacia a sede e que envolve todo nosso ser e proporciona a todos uma progressiva tomada de consciência a respeito do real significado dos sacramentos da iniciação cristã, do que significa ser cristão, ser salvo, ser Igreja… E não precisamos ficar esperando que, aleatoriamente, uma hora aconteça conosco. Ou, se já aconteceu, achar que foi o suficiente. Jesus nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo, como vimos. Quem tiver sede, vá a Ele e beba (Jo 7, 37-39), mais e mais. Se o nosso pecado, se a nossa tibieza, se a nossa pequena fé nos esmorecem, enchamo-nos do Espírito (cf. Ef 5, 12)! Agora isso é possível. É possível oferecermos ao Espírito mais e mais espaço em nossa vida para que Ele a replene com sua plenitude. Ele, que já está em nós, pode manifestar-se, aqui e agora, segundo a Sua vontade e nossa abertura à Sua ação…

E até quando vamos ter necessidade da Efusão do Espírito? Até atingirmos a santidade!!! Isso mesmo, pois, “… se o batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus mediante a inserção em Cristo e a habitação de seu Espírito, seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial. Perguntar a um catecúmeno: ‘Queres receber o Batismo?’ significa ao mesmo tempo pedir-lhe: ‘Queres fazer-te santo?’ (Novo Millennio Ineunte, 31). Em março de 2002, falando aos membros de uma delegação da “Renovação no Espírito Santo”, na Itália, o papa João Paulo II afirmou: “A Igreja e o mundo têm necessidade de santos, e nós somos tanto mais santos quanto mais deixamos que o Espírito Santo nos configure com Cristo.” Eis o segredo da experiência regeneradora da ‘efusão do Espírito’, experiência típica que caracteriza o caminho de crescimento proposto pelos membros dos vossos Grupos e das vossas Comunidades” (L’Osservatore Romano, 30/03/2002).E mais recentemente – 23 de maio de 2004 -, aos convidar os Movimentos Apostólicos a participar da Vigília de Pentecostes, dava o motivo de seu convite: “…para invocar sobre nós e sobre toda a Igreja uma abundante efusão dos sons do Espírito Santo”…

Que tal manifestarmos a Deus, hoje – quem sabe pela primeira vez, ou, talvez, uma vez mais – a nossa sede e a nossa vontade de receber mais e mais da efusão do Espírito? Associemo-nos a Maria – “aquela que, embora já tendo experimentado a plenitude do Espírito na encarnação do Verbo (gratia plena), obedeceu à instrução do Filho e também colocou-se à espera do cumprimento da promessa do dom do Espírito”. “E todos ficaram cheios do Espírito…” (cf. At 2,4). Peçamos, com João Paulo II, a intercessão dela: “ Ó Virgem Santíssima, mãe de Cristo e da Igreja […] Tu que estivestes no Cenáculo com os apóstolos em oração, à espera da vinda do Espírito de Pentecostes, invoca a Sua renovada efusão sobre todos os fiéis leigos, homens e mulheres, para que correspondam plenamente à sua vocação e missão, como ramos da ‘verdadeira videira’, chamados a dar ‘muitos frutos’ para a vida do mundo” (Christifideles Laici, n. 64).

BESERRA DOS REIS, Reinaldo. Celebrando Pentecostes: fundamentação e novena. Editora RCC BRASIL. Porto Alegre-RS) Para adquirir este livro clique aqui.


A Revelação de Deus

10 de agosto de 2010

“Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único para que todo o que nele crer não pereça,mas tenha a vida eterna”. (Jo 3,16).

Nosso desejo mais profundo é encontrar o sentido da vida e ser felizes.Não apenas por um momento,mas sempre e plenamente.Desejamos a realização total de nós mesmos,nas pequenas e nas grandes coisas.Nosso coração é feito para a beleza e a felicidade,para amar e ser amado,para buscar a verdade e fazer o bem.Somos movidos pelo desejo e pelo anseio de realização na grande aventura da vida,na construção do nosso futuro,por meio de encontros e da amizade.

Ao mesmo tempo somos limitados.Nossa experiência de vida inclui erros,injustiças e várias formas de sofrimento.Contudo,o desejo do coração é o de infinito.Este sonho,descrito por grandes santos,místicos e artistas,corresponde ao nosso anseio por Deus:“Fizeste-nos para ti,Senhor,e o nosso coração está inquieto até que repouse em ti”,rezou Santo Agostinho (Confissões 1,1).

Este desejo de encontrar Deus e de busca do infinito manifesta-se,ao longo da história,de várias formas,particularmente por meio das diferentes religiões.Na verdade,são muitos caminhos para entrar em comunhão com o Mistério do Amor.Na sua busca,o homem e a mulher se deparam com o desconhecido,percebem sua limitação e o grande desafio de descobrir o rosto de Deus em sua transcendência e no rosto dos irmãos e irmãs,particularmente,dos pobres e dos sofredores (cf.Mt 25,35-36).

Texto extraído do Livro Sou Católico Vivo minha fé da CNBB

Quando estamos falando da revelvação de Deus para todos nós,vivemos uma experiência formal na nossa vida cristã.A partir daí,nós vivemos contemplando as graças de Deus sobre todo o momento de fé na nossa vida cristã,sendo assim,Deus tem revelado para nós os seus ensinamentos de vivermos na obediência da tua lei.“Nesse dia é revelada plenamente a Santíssima Trindade.A partir desse dia,o Reino anunciado por Cristo está aberto aos que crêem nele;na humildade da carne e na fé,eles participam já da comunhão da Santíssima Trindade.Por sua vinda-e ela não cessa-,o Espírito Santo faz o mundo entrar nos “últimos tempos”,o tempo da Igreja,o Reino já recebido em herança,mas ainda não consumado”.(CIC 732).

Temos que compreender que,toda a nossa vida,sendo revelada na Santíssima Trindade,proporciona a todos nós a vinda de Jesus,sobre todos nós,Jesus Ele que é Pai,Filho e Espírito Santo,por isso temos o mandato fiel de Jesus para “ir fazer discípulos todas as nações e batizá-las em Nome do Pai do Filho e do Espírito Santo”.(cf.Mt 28,19-20).

Afinal,temos que dar toda a nossa vida,entregando toda a nossa fé unida as pessoas que querem trazer paz para toda a humanidade.Portanto,”buscai o amor e aspirai aos dons do Espírito,principalmente à profecia”.(cf.1Cor 14,1).

Encerro essa reflexão,pedindo a todos que creiam na força da fé,creiam para que a Revelação de Deus seja de fato,um milagre para o nosso coração.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado!

Deus abençõe a todos!!

Joseph Charles-Fraternidade Pequena Via,Campos,RJ


O Leigo e a evangelização

3 de agosto de 2010

Por Dom Raymundo Damasceno

No Brasil, já se tornou tradição na Igreja dedicar o mês de agosto ao tema vocacional e a última semana é reservada à reflexão sobre a vocação do leigo cristão e a sua missão. Em virtude do batismo que você recebeu, você participa da tríplice missão de Jesus Cristo: sacerdotal, profética, real. Você exerce o seu sacerdócio batismal ao fazer de sua vida em união com Cristo, um culto, um sacrifício espiritual agradável a Deus, oferecendo-lhe seus trabalhos, atividades, dores e alegrias cotidianas.

É uma maneira de prolongar a entrega de sua vida a Deus Pai em união com Cristo, feita na Celebração da Eucaristia, conforme as palavras de Santo Adalberto Hurtado, sacerdote jesuíta chileno: “minha vida é uma missa prolongada.”
A sua missão profética você a exerce quando colabora no anúncio da Palavra de Deus aos outros, seja ensinando, seja testemunhando esta palavra com sua vida. Finalmente, você realiza a missão real, quando você, com humildade e amor, coloca sua vida e seus dons recebidos de Deus a serviço do seu irmão, a serviço do bem comum.

O leigo cristão tem dupla cidadania: é cidadão da Igreja e do mundo. Como cidadão do mundo, seu campo específico de missão é o mundo, onde vive e atua. É o espaço da família, do trabalho, da economia, da política, da educação, da comunicação, da ecologia, etc, para transformar todas essas realidades temporais segundo o projeto de Deus.
O cristão, como cidadão da Igreja, tem direito a todos os meios de salvação, que Cristo deixou à Igreja, e também um compromisso com ela que exige dele colocar seus talentos, parte de seu tempo, inclusive, parte de seus recursos econômicos a serviço da missão evangelizadora.

Muitas vezes você não pode participar de algum trabalho pastoral na diocese ou na paróquia, mas pode colaborar contribuindo com a Igreja na realização de sua missão e aquele que sustenta a ação evangelizadora da Igreja participa dos méritos do trabalho evangelizador.