29 de Junho-Dia do Papa

29 de junho de 2010

Bento XVI é Papa desde o dia 19 de Abril de 2005. Foi eleito como o 266º Papa com a idade de 78 anos e três dias, sendo o atual Sumo Pontífice da Igreja Católica. Foi eleito para suceder o Papa João Paulo II no conclave de 2005 que terminou no dia 19 de Abril.

Biografia

Cardeal Ratzinger
Nascido em 16 de abril de 1927, Joseph Ratzinger é natural de Marktl am Inn, uma pequena vila na Baviera, às margens do rio Inn, na Alemanha, filho de Joseph, um comissário de polícia do Reich, oficial da polícia rural oriundo da Baixa Baviera e adepto de uma corrente bávaro-austríaca de orientação católica. Seu pai, era de religiosidade profunda e um decidido adversário do regime nacional-socialista. Suas ideias políticas firmes chegaram a trazer sérios perigos para a própria família. Em 1941, um dos primos de Ratzinger, um menino de catorze anos de idade com Síndrome de Down, foi morto pelo regime Nazista em sua campanha eugênica.A senhora Ratzinger, Maria, falecida em 1963, era de procedência tiroleza, do sul da Alemanha. Maria Ratzinger era tida por boa cozinheira e havia trabalhado em pequenos hotéis. O casamento ocorreu em 1920, os filhos Maria e Georg nasceram em 1921 e 1924, Joseph nasceu num Sábado Santo e foi batizado no dia seguinte, domingo da Páscoa. A família não era pobre no sentido literal do termo, mas os pais tiveram de fazer muitas renúncias para que os filhos pudessem estudar. Em 1928, a família mudou-se para Tittmoning, na época um lugarejo de cinco mil habitantes, às margens do rio Salzach na fronteira austríaca. Em 1932, a família mudou-se novamente, agora para Aschau, de novo às margens do Inn, um povoado próspero, já que em Tittmoning, Ratzinger-pai havia se mostrado demasiado contrário aos nazistas.

Aqueles assumiram o poder em 30 de janeiro de 1933, quando Hindenburg nomeou Hitler chanceler. Nos quatro anos em que a família Ratzinger passou em Aschau, o novo regime limitou-se a espionar e a ter sob controle os sacerdotes que se lhe mostravam hostis. Ratzinger-pai não só não colaborou com o regime como ajudou e protegeu os sacerdotes que sabia estarem em perigo. Já em 1931, os bispos da Baviera haviam publicado uma instrução dirigida ao clero em que manifestavam a sua oposição às ideias nazistas. A oposição entre a Igreja e o Reich estendia-se ao âmbito escolar: os bispos empreenderam uma dura luta em defesa da escola confessional católica e pela observância da Concordata.Nos anos de ginásio em Traunstein, Joseph Ratzinger aprendeu o latim que ainda era ensinado com rigor, o que muito lhe valeu como teólogo, pode ler as fontes em latim e grego e, em Roma, durante o Concílio, comenta, foi-lhe possível adaptar-se com rapidez ao latim dos teólogos que lá se falava, embora nunca tivesse ouvido palestras nessa língua. A formação cultural com base na antiguidade greco-latina propiciada naquele ambiente “criava uma atitude espiritual que se opunha às seduções da ideologia totalitária”. Pela Páscoa de 1939, ingressa no seminário-menor em Traunstein, por indicação do pároco, para que pudesse iniciar de forma sistemática na vida eclesiástica.Em Aschau começam os primeiros vislumbres da vocação sacerdotal, o jovem Ratzinger se deixa tocar pelos atos litúgicos do povado, os quais frequenta com piedade, entrementes o avanço do novo sistema político e, com ele, a oposição da Igreja. Em fevereiro de 1937 tem lugar a Kristallnacht, em que a juventude hitlerista apredeja as vitrines das lojas dos judeus. Pouco tempo depois, Pio XI promulga a Encíclica Mit brennender Sorge, em que condena as teorias nacional-socialistas. Neste ano, seu pai, então sexagenário, aposentou-se e a família mudou-se para Traunstein.

Com o irmão, Georg Ratzinger, Joseph entrou num seminário católico. Em 29 de Junho de 1951, foram ambos ordenados sacerdotes pelo Cardeal Faulhaber, arcebispo de Munique.

A partir de 1952 iniciou a sua atividade de professor na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, lecionando teologia dogmática e fundamental. Em 1953, obteve o doutoramento em teologia com a tese “Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho”. Sob a orientação do professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, obteve a habilitação para a docência, apresentando para isto dissertação com título de “A teologia da história em São Boaventura”. Lecionou ainda em Bonn (1959 – 1963); em Münster (1963 – 1966) e em Tubinga (1966 – 1969) onde foi colega de Hans Küng e confirmou uma certa visão tradicionalista como oposição às tendências marxistas dos movimentos estudantis dos anos 60. A partir de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde chegou a ser Vice-Reitor.

No Segundo Concílio do Vaticano (1962 – 1965), Ratzinger assistiu como peritus (especialista em teologia) do Cardeal Joseph Frings de Colônia. Foi também quem apresentou a proposta da realização da Missa em língua local em vez do latim.Fundou em 1972, junto com os teólogos Hans Urs von Balthasar (1905-1988) e Henri De Lubac (1896-1992), a revista Communio, para dar uma resposta positiva à crise teológica e cultural que despontou após o Segundo Concílio do Vaticano.Recebeu o título de doutor honoris causa das seguintes instituições: College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984; Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; Universidade Católica de Lima, em 1986; Universidade Católica de Lublin, em 1988; Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999 e da Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polônia) no ano 2000 e era ainda Membro honorário da Pontifícia Academia das Ciências.

Ascensão a bispo e cardeal

Ratzinger foi nomeado arcebispo de Munique e Freising, em 25 de março de 1977, pelo Papa Paulo VI e elevado a Cardeal no consistório de 27 de junho de 1977 com o título presbiteral de “Santa Maria da Consolação no Tiburtino”.

Em 1981, foi apontado como prefeito da Congregação para a Doutrina da  pelo Papa João Paulo II, cargo que manteve até ao falecimento do seu antecessor. Foi designado cardeal-bispo da Sé Episcopal de Velletri-Segni em 1993, e tornou-se Decano do Colégio Cardinalício em 2002, tornando-se o bispo titular de Ostia. Participou do Conclave de agosto de 1978 que elegeu o Papa João Paulo I e do Conclave de outubro deste mesmo ano que resultou na eleição de João Paulo II.

Eleição

Aos 78 anos, o Cardeal Joseph Ratzinger é eleito papa pelo colégio de cardeais. O conclave findo em 19 de abril de 2005 foi um dos mais rápidos da história, tendo apenas quatro votações e duração de apenas 22 horas. No dia 24 de abril do mesmo ano tomou posse em cerimônia na Basílica de São Pedro em Roma.[20] A fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina às 17h50 daquele 19 de Abril (hora do Vaticano). O nome do cardeal alemão foi anunciado cerca das 18h40 locais, da varanda da Basílica de São Pedro, onde o novo Papa surgiu minutos depois usando o solidéu branco, aclamado por milhares de pessoas que preenchiam a Praça de São Pedro, o coração do Vaticano

Era um velho amigo de João Paulo II, compartilhava das posições ortodoxas do Papa e foi um dos mais influentes integrantes da Cúria Romana. A sua posição como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo que exerceu durante vinte e três anos, o colocava como um dos mais importantes defensores da ortodoxia católica.

Primeira declaração

Em resposta a esse anúncio, sua primeira declaração ao público, depois de eleito Papa, foi:

“Queridos irmãos e irmãs: Depois do grande Papa João Paulo II, os senhores cardeais elegeram a mim, um simples humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me o fato de que o Senhor sabe trabalhar e atuar com instrumentos insuficientes e, sobretudo, confio nas vossas orações. Na alegria do Senhor ressuscitado, confiados em sua ajuda permanente, sigamos adiante. O Senhor nos ajudará. Maria, sua santíssima Mãe, está do nosso lado. Obrigado.”

Pensamento teológico

Considerando toda a sua obra literária, as suas atitudes como sacerdote e bispo ao longo da sua vida religiosa, e ainda do que se verifica dos anos passados à frente da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Ratzinger possui um pensamento católico ortodoxo que, para muitos de seus críticos, é tido como sendo conservador. Bento XVI tem adotado, no seu Pontificado, propostas semelhantes às do seu antecessor relativos à moral e ao dogma católico.

Na década de 1990 o Cardeal Ratzinger participou da elaboração de documento sobre a concepção humana como sendo o momento da animação. A partir da união do óvulo com o espermatozóide temos uma vida humana perante Deus. Assim, é impossível que a Santa Sé mude sua posição diante das pesquisas com células estaminais (células tronco) embrionárias ou diante do aborto. Na verdade esperava-se que o Papa reafirmasse o Magistério constante da Igreja sobre estes e outros temas da atualidade relacionados com a Moral, a Ética e a Doutrina Social da Igreja, o que de fato ocorreu.


Papa explica qual é a missão dos Núncios e Delegados Apostólicos

15 de junho de 2010

O Papa recebeu alunos e membros da Pontifícia Academia Eclesiástica na tradicional audiência que concede todos os anos a esse organismo do Vaticano. O encontro aconteceu na Sala do Consistório, do Palácio Apostólico Vaticano, na manhã desta segunda-feira, 14.

Bento XVI centrou suas reflexões em torno do conceito de representação, explicando o papel dos Núncios, Delegados Apostólicos e Observadores Permanentes – funções diplomáticas exercidas pelos sacerdotes que são formados na Academia Eclesiástica.

Discurso de Bento XVI à Pontifícia Academia Eclesiástica

Venerados Irmãos no Episcopado,
Queridos Sacerdotes,

vos acolho sempre com alegria pelo nosso tradicional encontro, que me oferece a ocasião de saudar-vos e encorajar-vos e de propor-vos algumas reflexões sobre o sentido do trabalho nas Representações Pontifícias. Saúdo o presidente, Dom Beniamino Stella, que com dedicação e senso eclesial acompanha a vossa formação e o agradeço pelas palavras que me dirigiu em nome de todos vós. Um grato pensamento a seus Colaboradores e às Irmãs Franciscanas Missionárias do Menino Jesus.

Desejo deter-me brevemente sobre o conceito de representação. Não raramente esse é considerado de modo parcial na compreensão contemporânea: tende-se, de fato, a associá-lo a qualquer coisa meramente exterior, formal, pouco pessoal.

O serviço de representação ao qual vós vos estais preparando é, ao contrário, algo de muito mais profundo porque é participação na solicitude omnium ecclesiarum, que caracteriza o Ministério do Romano Pontífice. É, por isso, realidade eminentemente pessoal, destinada a incidir profundamente naquele que é chamado a desenvolver tal missão particular. Exatamente nessa perspectiva eclesial, o exercício da representação implica a exigência de acolher e alimentar, com especial atenção na própria vida sacerdotal, algumas dimensões, que desejo indicar, embora sumariamente, a fim de que sejam motivo de reflexão no vosso caminho formativo.

Antes de tudo, cultivar uma plena adesão interior à pessoa do Papa, ao seu Magistério e ao Ministério universal; adesão plena, isto é, a quem recebeu a missão de confirmar os irmãos na fé (cf. Lc 22, 32) e “é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, seja dos Bispos, seja do conjunto dos fiéis” (Concílio Ecumênico Vaticano II,Constituição Lumen Gentium, 23). Em segundo lugar, assumir, como estilo de vida e como prioridade quotidiana, um atento cuidado – uma verdadeira “paixão” – pela comunhão eclesial. Ainda, representar o Romano Pontífice significa ter a capacidade de ser uma sólida “ponte”, um seguro canal de comunicação entre as Igrejas particulares e a Sé Apostólica: de um lado, colocando à disposição do Papa e de seus colaboradores uma visão objetiva, correta e aprofundada da realidade eclesial e social em que se vive; de outro, comprometendo-se a transmitir as normas, as indicações, as orientações que emanam da Santa Sé, não de maneira burocrática, mas com profundo amor à Igreja e com a ajuda da confiança pessoal pacientemente construída, respeitando e valorizando, ao mesmo tempo, os esforços dos Bispos e o caminho das Igrejas particulares para as quais foi enviado.

Como pode-se intuir, o serviço que vos preparais a desenvolver exige uma dedicação plena e uma disponibilidade generosa a sacrificar, se necessário, intuições pessoais, projetos particulares e outras possibilidades de exercício do ministério sacerdotal. A partir de uma ótica de fé e de resposta concreta ao chamado de Deus – a se nutrir sempre em um intenso relacionamento com o Senhor – isso não degrada a originalidade de cada um, mas, ao contrário, torna-se extremamente gratificante: o esforço de colocar-se em sintonia com a perspectiva universal e com o serviço à unidade da grei de Deus, peculiar do Ministério petrino, é, de fato, capaz de valorizar, de maneira singular, dons e talentos de cada um, segundo aquela lógica que São Paulo bem expressou aos cristãos de Corinto (cf. 1Cor 12, 1-31). Desse modo, o Representante Pontifício – em união aos que com ele colaboram – torna-se verdadeiramente sinal da presença e do amor do Papa. E se isso é um benefício para a vida de todas as Igrejas particulares, o é especialmente naquelas situações particularmente delicadas ou difíceis em que, por diversas razões, a comunidade cristã encontra-se a viver. Trata-se, a bem ver, de um autêntico serviço sacerdotal, caracterizado por uma analogia não remota com a representação de Cristo, típica do sacerdote que, como tal, tem uma intrínseca dimensão sacrifical.

Exatamente daqui deriva o estilo peculiar também do serviço de representação que sois chamados a exercitar diante das Autoridades estatais ou Organizações internacionais. Também nesses âmbitos, de fato, a figura e o modo de presença do Núncio, do Delegado Apostólico, do Observador Permanente, é determinada não somente pelo ambiente em que se trabalha, mas, primeiro e principalmente, por aquele a que se é chamado a representar. Isso coloca o Representante Pontifício em uma posição particular frente aos outros Embaixadores ou Enviados. Ele, de fato, será sempre profundamente identificado, em um sentido sobrenatural, com aquele que representa. O fazer-se porta-voz do Vigário de Cristo poderá ser desafiador, outras vezes extremamente exigente, mas nunca será humilhante ou impessoal.  Torna-se, pelo contrário, uma forma original de realizar a própria vocação sacerdotal.

Queridos Alunos, desejando-vos que a vossa Casa possa ser, como amava dizer o meu predecessor Paulo VI, uma “superior escola de caridade”, vos acompanhe a minha oração, enquanto vos confio à intercessão da Beata Virgem Maria, Mater Ecclesiae, e de Santo Antônio Abade, Patrono da Academia. A todos vós e aos vossos queridos, de bom grado concedo a minha Bênção.


Bento XVI,ensina o que é evangelizar

1 de junho de 2010

Fonte: Canção Nova

Todos os anos, na noite da Festa da Visitação de Maria a Isabel (31 de maio), os Jardins Vaticanos tornam-se cenário da tradicional procissão com a oração do Santo Rosário, que conclui o mês mariano no Vaticano.

O Papa indicou o exemplo de Maria, que vai ao encontro de sua prima Isabel, como modelo de evangelização.

“A caridade de Maria […] atinge o seu ápice no doar o próprio Jesus, no ‘fazê-lo encontrar’. Estamos assim no coração e cume da missão evangelizadora. É o significado mais verdadeiro e o objetivo mais genuíno de todo o caminho missionário: doar aos homens o Evangelho vivente e pessoal, que é o próprio Senhor Jesus”.

Acesse
.: Discurso de Bento XVI na conclusão do mês mariano no Vaticano

Nesse sentido, o Santo Padre disse que Jesus é o único tesouro que os crentes devem oferecer à humanidade.

“É d’Ele que os homens e mulheres de nosso tempo tem profunda nostalgia, também quando parecem ignorá-lo ou refutá-lo. É d’Ele que tem grande necessidade a sociedade em que vivemos, a Europa, o mundo inteiro”.

O Papa destacou que no episódio da Visitação é possível vislumbrar o “exemplo mais límpido e o significado mais verdadeiro do nosso caminho de crentes e do caminho da própria Igreja. A Igreja é, por sua natureza, missionária, é chamada a anunciar o Evangelho sempre e em toda parte, a transmitir a fé a todo o homem e mulher, em toda a cultura”.

Ele também disse que a existência humana e cristã está projetada para fora de si mesmo, está destinada a ir ao encontro dos outros. Nesse caminho, Jesus sempre coloca Maria como companhia de viagem. “Ela nos tranquiliza, porque nos recorda que com nós está sempre o seu Filho Jesus”, ensinou.

O Pontífice também ressaltou que Isabel é símbolo de todas as pessoas necessitadas de auxílio e amor. “E quantos assim estão também hoje em nossas famílias, nas nossas comunidades, nas nossas cidades! E Maria – que se definiu como ‘a serva do Senhor’ (Lc 1, 38) – fez-se serva dos homens. Mais precisamente, serve o Senhor que encontra nos irmãos”, exclamou.

Por fim, o Santo Padre disse que essa responsabilidade é confiada hoje a todo o cristão, convidando a vivê-la com alegria e compromisso, “para que a nossa seja verdadeiramente uma civilização em que reinem a verdade, a justiça, a liberdade e o amor, pilares fundamentais e insubstituíveis de uma verdadeira convivência ordena e pacífica”.